Pediatra orienta sobre a diferença entre intolerância e alergia e quais os cuidados na alimentação das crianças

Determinados alimentos presentes na rotina das crianças podem desenvolver sintomas desconfortáveis, muitas vezes ainda confusos para os pais, como diarreia e/ou constipação, dor e distensão abdominal, cólicas, ruídos intestinais aumentados, flatulência, náuseas e/ou vômitos. Isso tudo pode ser decorrente de uma intolerância alimentar.

Segundo a pediatra de São Paulo, Dra Maria Julia Carvalho, a intolerância alimentar é uma reação adversa que ocorre após a exposição da criança a um determinado alimento, mas que ao contrário da alergia, não envolve o sistema imunológico. “Os sintomas se restringem basicamente ao sistema digestivo e decorrem da dificuldade de digerir determinada substância presente no alimento”, comenta a especialista.

A intolerância mais comum é a do leite, que é provocada pela falta da enzima lactase responsável pela digestão do açúcar presente no leite (lactose). Outros alimentos também podem levar a sintomas de intolerância e os principais são: mariscos e peixes, morango, chá, café, chocolate, glutamato monossódico, tomate, espinafre, ovos, canela, banana e queijos. Além disso, muitos alimentos contêm corantes (como a tartrazina, corante amarelo encontrado em balas, gelatinas e sucos em pó), aromatizantes, conservantes e intensificadores de sabor, que podem também causar sintomas de intolerância alimentar.

Qualquer pessoa pode desenvolver a intolerância, mesmo sem histórico familiar, porém as mais acometidas são crianças maiores e adultos jovens. Já as alergias alimentares são mais comuns na infância e tem um caráter genético, podendo surgir em vários membros da mesma família.

Atualmente, não há exame específico para identificar a intolerância como nos casos da alergia. “O pediatra deve estar atento aos sintomas referidos pela família e sempre perguntar sobre o inquérito alimentar nas consultas de rotina, além de estabelecer estratégias de exposição ao alimento suspeito e ir avaliando a resposta da criança”, orienta Dra. Maju.

 

Vale lembrar que não há nenhuma evidência da exclusão de alimentos da dieta de forma preventiva, então a alimentação variada deve ser incentivada. “Assegurar o equilíbrio e a diversificação na qualidade alimentar deve ser estimulada desde o início da alimentação complementar, dando preferência para alimentos naturais ao invés dos processados e ficar atento aos rótulos das embalagens alimentares. O acompanhamento com o pediatra nas consultas de rotina tem papel fundamental na identificação precoce dos sintomas e orientação nutricional adequada”, finaliza Dra. Maju.